From Galiza

Chamo-me Maurício Castro e fago parte do coletivo editor do Diário Liberdade, além de trabalhar como professor de Português em Ferrol.

A voragem do trabalho militante no Diário Liberdade, portal anticapitalista da Galiza e dos povos lusófonos, levou-me a criar este pequeno espaço complementar, onde selecionar algumas informaçons, reflexons e opinions. Também me serve para ordenar alguns materiais publicados e espalhados em diferentes meios, apresentá-los juntos e submetê-los à leitura de quem puder ter interesse.

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Galiza vencerá! 28 textos sobre língua e construçom nacional publicados na imprensa galega entre 1999 e 2009 (2009)

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Galiza e a diversidade lingüística no mundo (2001)


História da Galiza em Banda Desenhada (1995)

O TORCEDOR DE FUTEBOL     

Por Emir Macedo Nogueira

À falta sufixos próprios, empregam-se em São Paulo, para designar os adeptos ou torcedores dos clubes de futebol, os chamados sufixos pátrios ou gentílicos, que a rigor indicam procedência ou naturalidade. Curioso é que a cada grande clube paulista corresponde um sufixo diferente: ano ficou para Corintians (corintiano, como paraibano); ense para o Palmeiras (palmeirense, como amazenense), ista para os Santos (santista, como paulista); e ino para o São Paulo (são-paulino, como bragantino). Com a Portuguesa ocorre outra curiosidade: normalmente seria português o adjetivo a ser empregado para designar seu torcedor, seu atleta etc. A crônica esportiva, entretanto, refugou esse termo (talvez por ter conotação muito grande com nacionalidade) e passou a empregar lusolusa. De maneira que não estaria muito longe da verdade quem dissesse que em São Paulo o adjetivo luso só se emprega com o sentido de: relativo à Portuguesa (tanto à de Desportos quanto a Santista)…

Quanto aos demais times, ora a eles se aplica um daqueles sufixos, ora outra. Há casos de hesitação: em relação à Ponte  Preta, novo “grande” do futebol paulista, usa-se ponte-pretano ou ponte-pretense. Quando há problemas de eufonia, surgem recursos engraçados: a torcida do Guarani não é guaraniense, mas bugrina (é essa palavra que se aplica também ao time, aos jogadores etc).

No Rio, além do emprego dos sufixos, costuma-se também designar o torcedor pelo próprio nome do time. Assim é que o carioca é flamengo (ou flamenguista: entusiasta do Flamengo); vasco (ou vascaíno: adepto do Vasco da Gama) etc. Em São Paulo não há essa hábito.

As cores do uniforme também servem para identificar o clube e tudo quanto se relaciona com ele. Temos entre nós os alvinegros(Corinthians, Santos, Ponte Preta, entre outros), os alviverdes (Palmeiras), os rubroverdes (Portuguesa de Desportos). Observe-se que todos esses compostos se escrevem como se fossem uma só palavra, sem hífen, sem nada; o hífen aparece, por exemplo, em auri-rubro, para manter fidelidade à pronúncia sem necessidade de dobrar o r. O novo campeão paulista, o São Paulo FC, é apenas o tricolor, sem indicação das cores de seu uniforme. Na grafia do nome, que indica o seu torcedor, notam-se dúvidas entre são-paulino, sampaulino sãopaulino. A primeira (são-paulino) é a forma correta de acordo com as normas que se obedecem na grafia dos gentílicos derivados de topônimos compostos (mato-grossense, norte-americano, rio-pardense).

Apesar de esporte eminentemente nacional, o futebol não se livrou ainda de forte influência inglesa. O FC (Futebol Clube) que se propõe a numerosos nomes é vestígio da sintaxe britânica: em português deveria ser Clube de Futebol. O mesmo ocorre com EC (Esporte Clube) que só poderia ser Clube de Esportes ou Clube Esportivo. Aportuguesaram-se em suma as palavras, mas não se aportuguesou a construção.

Para terminar, registre-se que o nome do mais popular clube paulista, o Corinthians, ainda não se submeteu às regras ortográficas vigentes. Conserva aquele ans em desacordo com os preceitos ortográficos. O correto deveria ser Coríntiãs, forma que ninguém tem coragem de usar. Nem este colunista, corintiano da velha guarda, frustrado agora pela décima sexta vez consecutiva.

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